Recife é indicada a prêmio internacional de inovação da ONU
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Recife é indicada a prêmio internacional de inovação da ONU

Recife foi indicado para representar o Brasil na edição inaugural do WIPO City of Innovation, premiação internacional promovida pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), agência especializada das Nações Unidas voltada à inovação, criatividade e proteção da propriedade intelectual.

A indicação foi realizada pelo Ministério das Relações Exteriores, por meio da Divisão de Propriedade Intelectual, que selecionou três cidades brasileiras para participar da etapa inicial da premiação. A OMPI será responsável pela análise das candidaturas e deve anunciar as cidades finalistas até o fim de setembro.

A cerimônia de premiação está prevista para o dia 12 de outubro, em Genebra, na Suíça, durante o 6º Fórum de Prefeitos da ONU.

Reconhecimento de uma estratégia de inovação

A indicação do Recife reflete o reconhecimento de uma estratégia estruturada para promover a inovação como vetor de desenvolvimento econômico e social.

O modelo adotado pela cidade se baseia na integração entre:

  • universidades
  • centros de pesquisa
  • startups
  • empresas
  • poder público

Esse ecossistema busca transformar conhecimento em soluções concretas, gerando empregos, oportunidades e impacto social.

Iniciativas e políticas públicas em destaque

A candidatura do Recife enfatiza iniciativas voltadas ao fortalecimento da inovação, da pesquisa aplicada e da propriedade intelectual, com destaque para:

  • Programa NITRO: desenvolvido em parceria com o Porto Digital, com foco no fortalecimento dos Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs), ampliação de registros de PI e aceleração da transferência de tecnologia
  • Rede NIT Recife: integrada ao Programa UniverCidade
  • Programa CORETO: incentivo ao empreendedorismo inovador
  • políticas municipais de inovação aberta, transformação digital e apoio a startups

Essas iniciativas reforçam a estratégia da cidade de consolidar um ambiente favorável à inovação e à economia do conhecimento.

Propriedade intelectual como motor de desenvolvimento

O prêmio WIPO City of Innovation avalia como as cidades utilizam a propriedade intelectual para:

  • impulsionar a inovação
  • promover o desenvolvimento sustentável
  • estimular a economia criativa
  • ampliar oportunidades para empreendedores e pesquisadores

A participação do Recife destaca o papel crescente da propriedade intelectual na construção de cidades mais inovadoras, competitivas e sustentáveis.

Brasil está entre os sete países que mais investem em ativos intangíveis
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Brasil está entre os sete países que mais investem em ativos intangíveis

O Brasil se posiciona entre as sete maiores economias do mundo em investimentos em ativos intangíveis, com um total de US$ 312 bilhões em 2023, segundo o relatório “O Brasil no Cenário Global de Investimentos em Intangíveis”, publicado pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

O volume coloca o país próximo ao Canadá e logo abaixo da Itália, superando economias como Espanha, Holanda, Suécia e Índia. O estudo tem como base o relatório internacional World Intangible Investment Highlights (WIIH), desenvolvido pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) em parceria com a Luiss Business School.

Intangíveis já representam parcela relevante do PIB

De acordo com o levantamento, os investimentos em ativos intangíveis já correspondem a 7,6% do PIB brasileiro — um patamar comparável a setores tradicionais como:

  • agropecuária (6,0%)
  • setor financeiro (6,6%)
  • acima da indústria extrativa (3,7%)

Esse dado reforça a crescente centralidade de ativos como software, bases de dados, marcas, desenhos industriais e pesquisa e desenvolvimento (P&D) na economia nacional.

Brasil se destaca em investimento em marcas

Um dos principais destaques do estudo é o desempenho do Brasil em marcas. O país ocupa a 5ª posição global em investimento absoluto em marcas, com cerca de US$ 79 bilhões, à frente de economias como França, Itália e Espanha.

As marcas representam aproximadamente 25% do total de investimentos intangíveis no país, proporção superior à observada no Reino Unido — indicando a relevância estratégica da proteção marcária no ambiente de negócios brasileiro.

Subestimação dos investimentos ainda é desafio

Apesar da relevância dos números, o relatório aponta que cerca de 72% dos investimentos intangíveis no Brasil não são capturados pelas Contas Nacionais.

Isso ocorre devido a convenções contábeis internacionais que tratam determinados ativos — como marcas e capital organizacional — como despesas, e não como investimentos. Esse padrão também se repete, em diferentes graus, nas demais economias analisadas.

Tendência global: intangíveis dominam o crescimento

Os dados globais mostram uma transformação estrutural: desde 2008, os investimentos em ativos intangíveis crescem, em média, mais de três vezes mais rápido do que os investimentos tangíveis.

Em 2025, esses investimentos ultrapassaram US$ 10 trilhões, consolidando-se como um dos principais motores da economia global.

Implicações estratégicas

O avanço dos investimentos em intangíveis reforça a importância da propriedade intelectual como elemento central de competitividade.

Para o Brasil, o desafio passa por:

  • aprimorar a mensuração desses ativos
  • fortalecer políticas de inovação
  • ampliar a participação do setor privado
  • garantir proteção eficiente de ativos intangíveis

Mais do que investir, será essencial transformar esses ativos em valor econômico sustentável.

Brasil lidera pedidos de patentes na América Latina
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Brasil lidera pedidos de patentes na América Latina

O Brasil consolidou sua posição como principal polo de inovação da América Latina ao concentrar 45,6% dos pedidos de patentes da região, de acordo com dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

O número coloca o país à frente de economias relevantes como México, Argentina e Chile, reforçando seu protagonismo no sistema regional de propriedade intelectual. No entanto, os dados também revelam um cenário mais complexo: apesar da liderança, a inovação ainda depende fortemente de agentes estrangeiros.

México aparece na segunda posição com cerca de 34% dos pedidos, enquanto Argentina e Chile têm participações significativamente menores. Juntos, Brasil e México concentram quase 80% dos depósitos de patentes na América Latina, evidenciando a concentração geográfica da atividade inovadora na região.

Dependência tecnológica ainda é elevada

Um dos pontos mais relevantes do relatório é que mais de 85% dos pedidos de patentes na América Latina são realizados por não residentes, principalmente empresas dos Estados Unidos e da Europa.

Esse dado evidencia que, embora o Brasil lidere em volume, grande parte das tecnologias protegidas no território nacional não tem origem local, o que limita a captura de valor econômico e tecnológico.

Ao mesmo tempo, há sinais positivos: a participação de requerentes locais vem crescendo, ainda que de forma gradual. Entre os períodos analisados, houve aumento na presença de inventores e empresas latino-americanas nos depósitos, indicando um fortalecimento progressivo da capacidade inovadora regional.

Universidades ganham protagonismo na inovação

Outro destaque é o papel crescente das universidades e instituições públicas de pesquisa. Elas ampliaram sua participação nos pedidos de patentes, enquanto o setor privado reduziu sua presença relativa.

Esse movimento sugere que boa parte da inovação de maior densidade tecnológica ainda nasce no ambiente acadêmico, mas enfrenta desafios para chegar ao mercado e gerar impacto econômico em escala.

Desafio estratégico: transformar ciência em negócios

O cenário reforça um ponto crítico para o Brasil: converter produção científica em inovação aplicada e competitiva.

Em um contexto global em que ativos intangíveis e propriedade intelectual são centrais para a economia do conhecimento, ampliar a participação de empresas nacionais no desenvolvimento e exploração de tecnologias será determinante para:

  • aumentar a competitividade industrial
  • reduzir a dependência externa
  • fortalecer cadeias produtivas locais
  • atrair investimentos estratégicos

Mais do que liderar em volume de depósitos, o desafio brasileiro está em transformar essa posição em vantagem econômica sustentável.

A liderança do Brasil em patentes na América Latina revela um sistema de propriedade industrial relativamente estruturado, mas também expõe um gap clássico de economias emergentes:

  • forte base científica
  • baixa conversão em inovação de mercado

Nesse contexto, políticas públicas, incentivos à inovação empresarial e mecanismos de transferência de tecnologia tornam-se decisivos para equilibrar o sistema.

Além disso, o cenário reforça a importância de instituições como o INPI na construção de um ambiente mais eficiente, previsível e alinhado às demandas da economia digital.

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