O Brasil consolidou sua posição como principal polo de inovação da América Latina ao concentrar 45,6% dos pedidos de patentes da região, de acordo com dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).
O número coloca o país à frente de economias relevantes como México, Argentina e Chile, reforçando seu protagonismo no sistema regional de propriedade intelectual. No entanto, os dados também revelam um cenário mais complexo: apesar da liderança, a inovação ainda depende fortemente de agentes estrangeiros.
México aparece na segunda posição com cerca de 34% dos pedidos, enquanto Argentina e Chile têm participações significativamente menores. Juntos, Brasil e México concentram quase 80% dos depósitos de patentes na América Latina, evidenciando a concentração geográfica da atividade inovadora na região.
Dependência tecnológica ainda é elevada
Um dos pontos mais relevantes do relatório é que mais de 85% dos pedidos de patentes na América Latina são realizados por não residentes, principalmente empresas dos Estados Unidos e da Europa.
Esse dado evidencia que, embora o Brasil lidere em volume, grande parte das tecnologias protegidas no território nacional não tem origem local, o que limita a captura de valor econômico e tecnológico.
Ao mesmo tempo, há sinais positivos: a participação de requerentes locais vem crescendo, ainda que de forma gradual. Entre os períodos analisados, houve aumento na presença de inventores e empresas latino-americanas nos depósitos, indicando um fortalecimento progressivo da capacidade inovadora regional.
Universidades ganham protagonismo na inovação
Outro destaque é o papel crescente das universidades e instituições públicas de pesquisa. Elas ampliaram sua participação nos pedidos de patentes, enquanto o setor privado reduziu sua presença relativa.
Esse movimento sugere que boa parte da inovação de maior densidade tecnológica ainda nasce no ambiente acadêmico, mas enfrenta desafios para chegar ao mercado e gerar impacto econômico em escala.
Desafio estratégico: transformar ciência em negócios
O cenário reforça um ponto crítico para o Brasil: converter produção científica em inovação aplicada e competitiva.
Em um contexto global em que ativos intangíveis e propriedade intelectual são centrais para a economia do conhecimento, ampliar a participação de empresas nacionais no desenvolvimento e exploração de tecnologias será determinante para:
- aumentar a competitividade industrial
- reduzir a dependência externa
- fortalecer cadeias produtivas locais
- atrair investimentos estratégicos
Mais do que liderar em volume de depósitos, o desafio brasileiro está em transformar essa posição em vantagem econômica sustentável.
A liderança do Brasil em patentes na América Latina revela um sistema de propriedade industrial relativamente estruturado, mas também expõe um gap clássico de economias emergentes:
- forte base científica
- baixa conversão em inovação de mercado
Nesse contexto, políticas públicas, incentivos à inovação empresarial e mecanismos de transferência de tecnologia tornam-se decisivos para equilibrar o sistema.
Além disso, o cenário reforça a importância de instituições como o INPI na construção de um ambiente mais eficiente, previsível e alinhado às demandas da economia digital.

