Na era da IA, colaboração e compartilhamento de dados ganham espaço na estratégia de inovação
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Na era da IA, colaboração e compartilhamento de dados ganham espaço na estratégia de inovação

O avanço da inteligência artificial está modificando a forma como empresas produzem, organizam e utilizam conhecimento. Nesse contexto, a capacidade de conectar dados e promover colaboração entre diferentes áreas e sistemas pode ganhar relevância em relação à concentração das informações em estruturas isoladas.

A discussão parte de uma mudança na própria lógica de gestão de dados. Durante anos, organizações investiram na centralização de informações como forma de facilitar controle, segurança e governança. Com a expansão da IA, entretanto, o valor dos dados está cada vez mais relacionado à possibilidade de combiná-los e utilizá-los em diferentes contextos.

Da centralização à integração

Modelos tradicionais de gestão de dados costumam concentrar informações em sistemas ou estruturas específicas. Essa abordagem pode facilitar o controle dos ativos informacionais, mas também pode criar barreiras entre departamentos e limitar o acesso ao conhecimento produzido dentro da própria organização.

A inteligência artificial amplia a necessidade de integração porque seus resultados dependem, em grande medida, da disponibilidade de informações e da capacidade de relacioná-las.

Nesse cenário, a colaboração passa a envolver não apenas pessoas, mas também sistemas, bases de dados e ferramentas de IA.

Dados isolados reduzem o potencial de inovação

Um dos pontos centrais da discussão é que o valor de um dado não está necessariamente apenas em sua existência, mas também na possibilidade de conectá-lo a outras informações.

Quando dados permanecem restritos a departamentos, plataformas ou estruturas independentes, parte do conhecimento produzido pela organização pode permanecer fragmentada.

A integração permite identificar relações entre informações que, quando analisadas isoladamente, podem não revelar todo o seu potencial.

Para empresas orientadas à inovação, isso pode significar maior capacidade de:

  • Identificar padrões;
  • Cruzar informações de diferentes áreas;
  • Apoiar processos de decisão;
  • Desenvolver novos produtos e serviços;
  • Automatizar atividades;
  • Transformar dados em conhecimento aplicável.

IA exige novas formas de colaboração

A inteligência artificial também modifica a relação entre profissionais e tecnologia. Ferramentas capazes de processar grandes volumes de informações podem atuar em diferentes etapas dos processos empresariais, mas dependem de dados adequados e de contextos que permitam interpretar seus resultados.

Nesse sentido, a colaboração deixa de ser apenas uma questão organizacional e passa a integrar a própria infraestrutura de inovação.

Equipes diferentes podem contribuir com dados, conhecimento especializado e perspectivas distintas, enquanto sistemas de IA ajudam a conectar e processar essas informações.

O resultado é uma estrutura menos dependente de um único ponto de concentração do conhecimento.

Governança continua sendo necessária

A maior integração entre dados não elimina a necessidade de governança. Pelo contrário, quanto maior o compartilhamento de informações entre sistemas e áreas, maior a necessidade de definir regras claras sobre acesso, utilização e proteção.

Para organizações que utilizam IA, isso envolve estabelecer mecanismos capazes de determinar:

  • Quem pode acessar determinados dados;
  • Como as informações podem ser utilizadas;
  • Quais dados podem ser compartilhados entre sistemas;
  • Como proteger informações estratégicas;
  • Como garantir qualidade e rastreabilidade dos dados.

A colaboração, portanto, não significa ausência de controle. O desafio está em criar estruturas que permitam compartilhar informações de forma segura e organizada, preservando os mecanismos de governança.

O impacto para inovação e propriedade intelectual

A discussão também apresenta implicações para a gestão de ativos intangíveis. Em empresas intensivas em conhecimento, dados, software, processos, informações técnicas e resultados de pesquisa podem contribuir para a geração de novos ativos de propriedade intelectual.

Quando diferentes áreas colaboram e compartilham informações, aumenta a possibilidade de identificar conexões entre conhecimento técnico, pesquisa e oportunidades de inovação.

Isso torna a gestão de dados parte de uma discussão mais ampla sobre estratégia de inovação e propriedade intelectual.

A capacidade de identificar, proteger e explorar adequadamente os resultados desse processo pode ser relevante para empresas que dependem de tecnologia e conhecimento para gerar valor.

Um novo modelo para a economia orientada por dados

A expansão da inteligência artificial coloca a gestão de dados diante de um novo cenário. Mais do que acumular informações, organizações precisam desenvolver mecanismos para conectá-las, interpretá-las e transformá-las em aplicações práticas.

Nesse contexto, a colaboração entre pessoas, sistemas e bases de dados passa a ocupar uma posição central na construção de conhecimento.

Para empresas que buscam inovar, o desafio não está apenas em possuir grandes volumes de dados, mas em criar condições para que essas informações possam ser utilizadas de maneira integrada, estratégica e governada.

Novas canetas de semaglutida ampliam a concorrência no mercado brasileiro
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Novas canetas de semaglutida ampliam a concorrência no mercado brasileiro

A expiração da patente da semaglutida no Brasil, em março de 2026, abriu espaço para a entrada de novos produtos no mercado e acelerou a movimentação de empresas farmacêuticas em torno dos medicamentos à base do princípio ativo. Desde maio, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vem concedendo registros para novas canetas de semaglutida sintética.

Segundo levantamento publicado pela VEJA, mais de dez medicamentos injetáveis à base de semaglutida já receberam autorização da Anvisa, incluindo produtos genéricos e similares. O movimento amplia a concorrência em um segmento que, até recentemente, era dominado pelos medicamentos biológicos de referência.

Novas marcas entram no mercado

Em 29 de julho, a Anvisa aprovou cinco novas canetas de semaglutida sintética: Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema. Elas se somaram ao Ozivy, da EMS, registrado em maio como o primeiro medicamento de semaglutida sintética análoga ao produto biológico de referência.

A lista apresentada pela VEJA também inclui outras marcas aprovadas posteriormente em diferentes categorias:

  • Ozivy — EMS: primeira versão de semaglutida sintética registrada no Brasil;
  • Owozy — Ávita Care/Biolab/Sandoz: aprovado pela Anvisa em julho;
  • Seemasun — Sun Farmacêutica do Brasil: aprovado em julho;
  • Zempneo — Brainfarma: aprovado em julho;
  • Semavy — Mantecorp/Hypera Pharma: aprovado em julho;
  • Orsema — Ranbaxy Farmacêutica: aprovado em julho;
  • Semaclique — Germed/EMS: similar do Ozivy, também aprovado como genérico;
  • Yluméc — EMS: aprovado como similar em agosto.

As aprovações fazem parte de um movimento mais amplo de análise de medicamentos agonistas do receptor GLP-1 pela Anvisa. Segundo a Agência, 68% dos pedidos de registro de medicamentos injetáveis para tratamento de obesidade e diabetes protocolados são de produtos sintéticos.

Semaglutida sintética e biológica: qual é a diferença?

As novas canetas não são simplesmente cópias do medicamento biológico de referência.

Os produtos aprovados recentemente utilizam semaglutida obtida por síntese química, enquanto medicamentos como Ozempic e Wegovy utilizam semaglutida de origem biológica. A Anvisa classifica o Ozivy, por exemplo, como medicamento novo e análogo sintético de um produto biológico, e não como genérico do Ozempic.

A diferença está relacionada à forma de obtenção do princípio ativo:

  • Semaglutida biológica: produzida a partir de processos biotecnológicos;
  • Semaglutida sintética: produzida por síntese química.

Segundo a Anvisa, a avaliação de análogos sintéticos de semaglutida representa um desafio técnico devido às características que esses produtos compartilham com medicamentos sintéticos e biológicos.

Genéricos e similares entram na disputa

A abertura do mercado também envolve diferentes categorias regulatórias.

Segundo a VEJA, Ozivy e Semaclique foram liberados para comercialização como genéricos, enquanto outros produtos foram registrados como similares.

No caso dos genéricos, a legislação estabelece que o medicamento tenha o mesmo princípio ativo e eficácia do produto de referência, sem utilizar um nome comercial próprio. Já os medicamentos similares possuem nome comercial e são registrados em relação ao produto de referência.

A diversificação das categorias amplia o número de empresas que podem atuar no segmento e cria uma estrutura de mercado diferente daquela existente durante o período de proteção patentária.

Expiração da patente impulsiona novos pedidos

A expiração da patente da semaglutida em 20 de março de 2026 foi um dos fatores que contribuíram para o aumento dos pedidos de registro.

A Anvisa informou que, desde agosto de 2025, havia priorização da análise de medicamentos com semaglutida e liraglutida, em razão de solicitação do Ministério da Saúde e de questões relacionadas ao abastecimento do mercado nacional, no âmbito do Complexo Econômico-Industrial da Saúde.

Dos 24 medicamentos sintéticos e biológicos incluídos no edital de priorização mencionado pela Agência, 11 já haviam concluído a análise, resultando em seis medicamentos aprovados até julho de 2026.

Um mercado em transformação

A entrada de novas versões de semaglutida ocorre em um momento de expansão do mercado de agonistas do receptor GLP-1 e de maior participação de medicamentos sintéticos.

Para as empresas farmacêuticas, o cenário envolve não apenas a capacidade de desenvolver e registrar novos produtos, mas também questões relacionadas à propriedade intelectual, diferenciação de marcas, proteção de ativos e posicionamento em um mercado com novos concorrentes.

A evolução desse segmento também demonstra como o término de um período de proteção patentária pode alterar a dinâmica competitiva de um mercado farmacêutico, estimulando novos pedidos de registro e a entrada de diferentes fabricantes.

INPI disponibiliza mais três Guias de PI para Negócios
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INPI disponibiliza mais três Guias de PI para Negócios

O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) disponibilizou, em 26 de agosto de 2026, mais três edições do Guia de Propriedade Intelectual para Negócios. Com as novas publicações, a coleção passa a contar com nove guias práticos voltados à utilização estratégica da propriedade intelectual no ambiente empresarial.

Os materiais integram uma série desenvolvida em parceria com o Escritório de Propriedade Intelectual de Singapura (IPOS). As obras originais foram adaptadas pelo INPI para o contexto brasileiro, com o objetivo de apoiar empresas na compreensão e na gestão de seus ativos de propriedade intelectual.

As três novas edições abordam temas relacionados à atuação internacional, à integração da propriedade intelectual à estratégia corporativa e à identificação e redução de riscos associados a esses ativos.

Guia 7: gestão da propriedade intelectual em operações internacionais

O Guia 7 — Como gerenciar sua propriedade intelectual ao operar internacionalmente aborda questões relacionadas à proteção e à gestão de ativos de propriedade intelectual fora do Brasil.

Entre os temas tratados estão:

  • O funcionamento das legislações de propriedade intelectual em outros países;
  • A expansão da proteção para mercados internacionais;
  • A defesa de direitos em outras jurisdições;
  • Os canais de suporte disponíveis para empresas que atuam internacionalmente.

O tema ganha relevância à medida que empresas ampliam suas operações para outros mercados e precisam considerar as particularidades dos sistemas de propriedade intelectual de cada país.

Guia 8: propriedade intelectual e estratégia empresarial

O Guia 8 — Possibilitando o sucesso comercial por meio de sua estratégia de propriedade intelectual trata da integração da propriedade intelectual ao planejamento corporativo.

A publicação apresenta aspectos relacionados a:

  • O papel da propriedade intelectual na estratégia empresarial;
  • As etapas de planejamento de uma estratégia de PI;
  • A elaboração e estruturação dessa estratégia;
  • A implementação prática das ações;
  • As fontes de apoio disponíveis para as empresas.

A abordagem destaca a propriedade intelectual como um tema que pode ser incorporado às decisões relacionadas ao desenvolvimento e à gestão dos negócios.

Guia 9: identificação e redução de riscos em propriedade intelectual

O Guia 9 — Como gerenciar e reduzir os riscos relacionados à PI da sua empresa é dedicado à gestão de riscos associados aos direitos de propriedade intelectual.

O material aborda:

  • Os principais riscos relacionados aos ativos de PI;
  • Formas de reduzir ameaças decorrentes de direitos de terceiros;
  • Procedimentos a serem considerados diante de acusações de infração;
  • Orientações e canais de apoio.

A gestão preventiva desses riscos pode ser especialmente relevante para empresas que desenvolvem, utilizam ou comercializam tecnologias, marcas e outros ativos intangíveis.

Coleção passa a reunir nove guias práticos

Com a publicação das três novas edições, a série Guia de Propriedade Intelectual para Negócios passa a reunir nove materiais.

A ampliação da coleção disponibiliza conteúdos voltados a diferentes etapas da gestão da propriedade intelectual, incluindo proteção, estratégia, internacionalização e gerenciamento de riscos.

Os novos guias reforçam a importância de considerar os ativos de propriedade intelectual dentro de uma perspectiva mais ampla de gestão empresarial, especialmente em contextos de expansão internacional, desenvolvimento tecnológico e exploração de ativos intangíveis.

inteligência Artificial já responde por parcela relevante dos registros de software no INPI
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Inteligência Artificial já responde por parcela relevante dos registros de software no INPI

Os registros de programas de computador no Brasil vêm apresentando crescimento em 2026, acompanhando a expansão do uso de software e inteligência artificial nas atividades empresariais. Até agosto, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) contabilizou 6.017 depósitos, aproximando-se do total de 7.232 registros realizados durante todo o ano de 2025.

Somente no primeiro semestre de 2026, os depósitos cresceram 75% em relação ao mesmo período do ano anterior. A projeção do INPI é de que os registros de programas de computador mantenham uma taxa média anual de crescimento de 15,6% entre 2026 e 2030.

Nesse cenário, a inteligência artificial já representa uma parcela significativa dos pedidos analisados pelo Instituto.

Inteligência artificial ganha espaço nos registros de software

Os dados mostram o avanço da presença da IA entre os programas de computador levados ao sistema de registro do INPI.

Em 2025, dos depósitos recebidos pelo Instituto:

  • 1.372 registros, equivalentes a 19% do total, estavam relacionados à inteligência artificial.

Nos dados levantados até maio de 2026:

  • 639 registros estavam relacionados à IA;
  • De um universo de 3.040 depósitos analisados no período.

Os números indicam a crescente presença da inteligência artificial no desenvolvimento de novos programas de computador e refletem a ampliação do papel do software nas estratégias empresariais.

Software assume papel estratégico nas empresas

De acordo com Érica Guimarães Correia, chefe da Divisão de Programas de Computador e Topografias de Circuitos Integrados do INPI, o software deixou de atuar apenas como ferramenta de suporte administrativo.

Atualmente, programas de computador podem estar diretamente relacionados a atividades como:

  • Automação de processos;
  • Eficiência operacional;
  • Experiência do cliente;
  • Redução de custos;
  • Análise de dados;
  • Tomada de decisões;
  • Escalabilidade dos negócios.

Em determinados modelos empresariais, o próprio software constitui o produto ou serviço oferecido pela empresa.

Essa transformação amplia a importância da identificação, gestão e proteção dos ativos tecnológicos desenvolvidos pelas organizações.

Como funciona a proteção de software no Brasil

No Brasil, programas de computador são protegidos pelo direito autoral, e não pelo sistema de patentes.

No registro realizado perante o INPI, a proteção está relacionada ao código-fonte do programa. O depósito não é obrigatório para que exista a proteção autoral, mas o certificado de registro pode servir como elemento de prova de autoria em eventuais disputas.

O registro também pode ser utilizado em diferentes contextos empresariais e jurídicos, incluindo:

  • Licitações;
  • Financiamentos;
  • Licenciamento;
  • Transferência de tecnologia;
  • Negociações e contratos relacionados à exploração do software.

Nesse sentido, o registro pode integrar uma estratégia mais ampla de gestão de ativos intangíveis e de formalização da titularidade de tecnologias desenvolvidas por empresas e profissionais.

IA não pode ser considerada autora do software

O avanço das ferramentas de inteligência artificial também levanta discussões sobre autoria.

Segundo Érica Guimarães Correia, pelas regras atualmente aplicáveis no Brasil, a autoria continua vinculada a uma pessoa física, uma vez que a inteligência artificial é considerada uma ferramenta e não pode reivindicar autoria.

A legislação de direito autoral estabelece que o autor é a pessoa física responsável pela criação.

A distinção entre autor e titular também é relevante no ambiente corporativo:

  • O autor é a pessoa física responsável pela criação;
  • O titular pode ser uma pessoa física ou jurídica e detém os direitos patrimoniais relacionados à utilização e à exploração econômica do programa.

Quando um profissional é contratado especificamente para atividades de pesquisa e desenvolvimento de software previstas em seu vínculo de trabalho, o desenvolvedor permanece como autor da criação, enquanto a empresa pode deter a titularidade dos direitos patrimoniais.

Reprodução de código e os desafios do uso de IA

Outro ponto de atenção envolve situações em que ferramentas de inteligência artificial geram códigos a partir de conteúdos existentes.

Segundo a representante do INPI, uma eventual controvérsia pode envolver a comparação entre códigos para verificar se ocorreu a reprodução de conteúdo protegido, especialmente quando o trecho reproduzido representa um elemento relevante ou diferencial do software.

A análise sobre eventual reprodução ou plágio, no entanto, não é realizada pelo INPI.

Em caso de disputa, a questão pode ser examinada pelo Poder Judiciário, com a possibilidade de análise técnica por um perito judicial.

O avanço das ferramentas de IA, portanto, amplia a importância de questões relacionadas à autoria, titularidade e utilização de conteúdos protegidos no desenvolvimento de novas soluções tecnológicas.

Proteção de software acompanha avanço da economia baseada em tecnologia

O crescimento dos depósitos de programas de computador e a participação crescente de tecnologias relacionadas à inteligência artificial refletem uma mudança no papel dos ativos digitais dentro das empresas.

À medida que o software passa a ocupar uma posição mais direta na geração de valor, na automação e na oferta de produtos e serviços, temas como autoria, titularidade e proteção do código-fonte tornam-se parte da estratégia de gestão desses ativos.

A discussão esteve no centro de um webinar promovido pela Assespro-PR em 11 de agosto, dedicado à propriedade intelectual aplicada a software e aos impactos da inteligência artificial sobre a proteção de tecnologias desenvolvidas por empresas.

Brasil avança em inovação, P&D e startups, mas desafios estruturais ainda limitam competitividade
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Brasil avança em inovação, P&D e startups, mas desafios estruturais ainda limitam competitividade

O setor brasileiro de tecnologia registrou avanços em inovação, pesquisa e desenvolvimento, formação profissional e empreendedorismo. Ao mesmo tempo, indicadores apresentados pelo segundo caderno do estudo TICs 2026, lançado pelo Observatório Softex, apontam desafios estruturais que continuam afetando a competitividade do país.

A publicação analisa a Indústria de Software e Serviços de Tecnologia da Informação e Comunicação (ISSTIC) e reúne dados sobre formação de talentos, mercado de trabalho, adoção de tecnologias, pesquisa e desenvolvimento e startups. O cenário revela uma expansão da base empresarial e tecnológica, mas também limitações relacionadas à qualificação profissional, aos custos de inovação, aos investimentos em P&D e à maturidade do ecossistema empreendedor.

Formação em tecnologia cresce, mas enfrenta desafios de qualidade e permanência

A formação de profissionais em tecnologia continua sendo um dos principais fatores para o desenvolvimento da economia digital brasileira.

Em 2024, o Brasil registrou:

  • 4.190 cursos de Tecnologia da Informação, equivalentes a 9,2% do ensino superior;
  • 50% da oferta concentrada na Região Sudeste;
  • 30,57% dos cursos localizados em São Paulo;
  • 87,3% das vagas oferecidas na modalidade de ensino a distância;
  • 109.875 profissionais formados via EaD, crescimento de 30,6% em relação a 2023.

Apesar da expansão, o estudo aponta desafios relacionados à qualidade e à permanência dos estudantes. Cerca de 71% dos cursos avaliados pelo ENADE receberam conceitos 2 ou 3, enquanto a evasão no ensino privado a distância supera 50%.

Algumas áreas estratégicas também apresentaram crescimento acelerado. As matrículas em Inteligência Artificial passaram de 396 para 3.250 entre 2022 e 2024, enquanto as vagas em Defesa Cibernética cresceram de 4.785 para 113.080 entre 2019 e 2024.

Base empresarial e adoção tecnológica avançam

A estrutura empresarial do setor também apresentou crescimento.

Em 2025, o Brasil alcançou 627.124 empresas na ISSTIC, representando uma alta de 21% entre 2023 e 2025. Paralelamente, tecnologias associadas à transformação digital ganharam maior espaço nas empresas.

A adoção de Inteligência Artificial:

  • Passou de 12,94% para 17,46% na média das empresas;
  • Cresceu de 38,24% para 48,88% no setor de Informação e Comunicação.

Já a computação em nuvem estava presente em 55,64% das empresas e em 74,71% das organizações do segmento de TIC.

Entre os principais obstáculos à inovação identificados pelo estudo estão:

  • Custo das tecnologias: 78,6%;
  • Escassez de profissionais: 54,2%.

Os dados indicam que a expansão da adoção tecnológica ocorre em paralelo à necessidade de ampliar a disponibilidade de competências especializadas e reduzir barreiras à implementação de novas tecnologias.

Mercado de trabalho tecnológico mantém remuneração acima da média

Em 2025, o setor reunia 1,32 milhão de vínculos formais, o equivalente a 2,20% do total nacional.

A remuneração média alcançou R$ 8.253,55, valor 64,28% superior à média do setor de serviços.

O indicador reforça a relevância econômica das atividades relacionadas à tecnologia e, ao mesmo tempo, evidencia a pressão sobre o mercado por profissionais qualificados em áreas consideradas estratégicas para a economia digital.

P&D avança, mas investimento permanece abaixo dos principais polos globais

No campo da pesquisa e desenvolvimento, o estudo aponta uma expansão dos investimentos e da infraestrutura científica, embora o Brasil ainda apresente uma distância significativa em relação aos principais polos globais de inovação.

O país investe entre 1,3% e 1,7% do PIB em ciência e tecnologia, enquanto Israel investe 6,35% e a Coreia do Sul, 5,32%.

Na ISSTIC, os dispêndios em P&D passaram de:

  • R$ 1,9 bilhão em 2008
  • para R$ 3,6 bilhões em 2017.

Os gastos com atividades científicas e técnicas especializadas ultrapassaram R$ 10 bilhões. O Brasil também conta com 583 Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs), das quais 57,1% atuam nas áreas de Tecnologia e Comunicação.

Registros de software crescem, enquanto depósitos de patentes em TIC recuam

Os indicadores de propriedade intelectual apresentados no estudo mostram movimentos distintos.

Os registros de programas de computador no INPI cresceram de 2.099 em 2020 para 7.232 em 2025, demonstrando uma expansão relevante na formalização de ativos de software.

Por outro lado, os depósitos de patentes relacionados às Tecnologias da Informação e Comunicação registraram uma queda de 20,4%.

O contraste entre os dois indicadores evidencia diferentes dinâmicas dentro do sistema de inovação e reforça a importância de acompanhar como empresas, instituições de pesquisa e empreendedores utilizam os mecanismos de proteção da propriedade intelectual.

Ecossistema de startups cresce, mas enfrenta desafios de maturidade e capital

Em 2025, o Brasil reunia 3.923 startups de base tecnológica, dentro de um universo de 22.869 startups.

A maior parte ainda se encontrava em estágios iniciais de desenvolvimento:

  • 67% estavam nas fases de validação ou tração;
  • Apenas 3,3% haviam alcançado a fase de escala;
  • 50,1% não declararam faturamento.

O modelo B2B predominava em 70% das empresas, enquanto as soluções SaaS representavam 64,4% do ecossistema analisado.

O acesso a capital permanece como outro ponto de atenção. A captação de venture capital caiu de US$ 11,2 bilhões em 2021 para US$ 4,5 bilhões em 2025. Pela primeira vez em 15 anos, o México superou o Brasil em investimentos.

O estudo também aponta concentração regional: o Sudeste reúne 40,2% das startups, São Paulo concentra 24,8%, e Santa Catarina representa 13,3%.

Inovação brasileira entre expansão e desafios estruturais

Os dados reunidos pelo TICs 2026 indicam uma expansão consistente do setor brasileiro de tecnologia, impulsionada pelo crescimento empresarial, pela maior adoção de ferramentas como inteligência artificial e computação em nuvem e pela ampliação da formação em áreas estratégicas.

Ao mesmo tempo, indicadores relacionados a investimento em P&D, disponibilidade de profissionais, depósitos de patentes e acesso a capital mostram que o fortalecimento do ecossistema de inovação depende de avanços estruturais.

Nesse contexto, a competitividade brasileira estará relacionada não apenas à expansão do setor tecnológico, mas também à capacidade de transformar conhecimento, pesquisa, desenvolvimento e empreendedorismo em ativos, tecnologias e negócios capazes de alcançar escala.

Fim da patente da semaglutida acelera corrida por novas canetas no mercado brasileiro
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Fim da patente da semaglutida acelera corrida por novas canetas no mercado brasileiro

A expiração da proteção patentária da semaglutida no Brasil desencadeou uma nova etapa de concorrência no mercado de medicamentos para diabetes e controle de peso. Com o fim da proteção, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) passou a autorizar uma nova geração de produtos à base da molécula, incluindo versões sintéticas e o primeiro medicamento genérico da categoria.

Segundo levantamento publicado pela VEJA, já são 12 opções de medicamentos à base de semaglutida autorizadas pela Anvisa, algumas disponíveis no mercado e outras ainda em fase de precificação e lançamento.

Expiração da patente abre espaço para novos concorrentes

A semaglutida ficou mundialmente conhecida por meio do Ozempic, medicamento desenvolvido pela farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk. Com o fim da proteção patentária no Brasil, fabricantes nacionais passaram a disputar espaço em um segmento que apresenta forte demanda.

O primeiro movimento ocorreu em maio de 2026, quando a Anvisa aprovou o Ozivy, da brasileira EMS, um medicamento à base de semaglutida sintética. O produto chegou às farmácias em junho e comercializou 200 mil unidades somente em julho, segundo os dados apresentados pela publicação.

Em julho, a Anvisa também autorizou outros cinco medicamentos similares:

  • Owozy
  • Seemasun
  • Zempneo
  • Semavy
  • Orsema

Posteriormente, a agência aprovou outras duas opções, entre elas a primeira versão genérica desenvolvida pela própria EMS. Com isso, a concorrência passou a envolver diferentes categorias regulatórias e modelos de desenvolvimento.

Concorrência e impacto sobre preços

A expansão do número de fabricantes tende a aumentar a competição e pode pressionar os preços para baixo.

O Ozivy, primeira caneta nacional de semaglutida, chegou às farmácias por R$ 333 por unidade nas condições do programa Vida + Leve, da EMS. A empresa atribui a possibilidade de preços mais competitivos à tecnologia desenvolvida internamente e à produção integralmente local.

A própria Novo Nordisk também permanece no mercado. No final de 2025, a empresa firmou acordo com a brasileira Eurofarma para produção e distribuição de medicamentos à base de semaglutida.

A movimentação mostra que a expiração da patente não significa a saída do titular original do mercado, mas a transformação da estrutura competitiva após o término da exclusividade.

Inovação além da cópia do medicamento original

A entrada de novos produtos também evidencia a diferença entre medicamentos biológicos e sintéticos.

A semaglutida utilizada originalmente em Ozempic e Wegovy é um medicamento biológico, produzido a partir de células cultivadas em laboratório. Parte dos novos produtos autorizados no Brasil, entretanto, utiliza semaglutida obtida por síntese química.

Essa distinção é relevante para a propriedade intelectual e para o ambiente regulatório, já que a expiração da proteção da molécula não significa simplesmente reproduzir a tecnologia originalmente desenvolvida pelo titular.

No caso do Ozivy, por exemplo, a utilização de uma rota sintética permitiu seu enquadramento como produto inédito, embora utilize a mesma substância de base. A versão genérica posteriormente aprovada tem como referência justamente o Ozivy.

Regulação acompanha expansão do mercado

O crescimento acelerado do número de produtos também levou a Anvisa a intensificar a análise dos pedidos de registro.

Segundo a matéria, a agência avaliou 24 solicitações, das quais 11 haviam sido concluídas até a publicação: seis receberam aprovação e cinco foram reprovadas. O processo inclui a análise dos dossiês técnicos e a inspeção das linhas de produção.

O movimento ocorre paralelamente à preocupação com o mercado de produtos irregulares. Entre novembro de 2025 e julho de 2026, foram importados 4,2 quilos de semaglutida e 150 quilos de tirzepatida na forma de insumos. No mesmo período, a Anvisa realizou 33 operações de fiscalização em farmácias de manipulação, sendo 14 delas em parceria com a Polícia Federal.

Propriedade intelectual e transformação do mercado farmacêutico

O caso da semaglutida ilustra como o fim de um período de exclusividade patentária pode alterar rapidamente a dinâmica competitiva de um mercado farmacêutico.

A entrada de novos players cria oportunidades para:

  • Ampliação da oferta de medicamentos;
  • Desenvolvimento de diferentes tecnologias de produção;
  • Redução potencial de preços;
  • Aumento da concorrência entre fabricantes;
  • Expansão do acesso a tratamentos.

Ao mesmo tempo, o cenário demonstra que a expiração de uma patente é apenas uma das etapas do processo de entrada de novos medicamentos. Aprovação regulatória, capacidade produtiva, precificação e estratégias de mercado também determinam a velocidade com que a concorrência efetivamente chega ao consumidor.

INPI divulga Plano Estratégico 2027–2036 com foco no direcionamento de longo prazo
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INPI divulga Plano Estratégico 2027–2036 com foco no direcionamento de longo prazo

O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) publicou, em 14 de agosto de 2026, seu Plano Estratégico para o período de 2027 a 2036. O documento estabelece o direcionamento institucional de longo prazo e resulta de um processo coletivo e participativo de construção da estratégia do Instituto.

O novo planejamento define sete Objetivos Estratégicos, alinhados à missão, à visão e aos valores do INPI. A estratégia será posteriormente desdobrada em planos de ação das diferentes áreas, com definição de metas e projetos para o médio prazo.

Planejamento para a próxima década

O horizonte de dez anos amplia a perspectiva de planejamento institucional do INPI e estabelece uma estrutura para orientar as iniciativas do Instituto no longo prazo.

Entre os principais elementos apresentados estão:

  • Período de vigência: 2027–2036
  • Sete Objetivos Estratégicos
  • Construção baseada em processo coletivo e participativo
  • Alinhamento com a Missão, Visão e Valores do Instituto
  • Desdobramento da estratégia em Planos de Ação
  • Definição de metas e projetos para o médio prazo

Integração entre estratégia e execução

De acordo com o INPI, o novo planejamento propõe um modelo integrado, no qual as diretrizes estratégicas serão materializadas por meio dos Planos de Ação das diferentes áreas do Instituto.

Essa estrutura conecta o planejamento de longo prazo à execução de iniciativas de médio prazo, permitindo que os objetivos definidos no Plano Estratégico sejam traduzidos em projetos e metas específicos.

O modelo também se relaciona à estrutura de governança do Instituto, que inclui instrumentos como o Plano de Ação, a Central de Monitoramento, o Plano Plurianual e a Estratégia Nacional de Propriedade Intelectual.

Relevância para o sistema de propriedade intelectual

O planejamento estratégico do INPI estabelece diretrizes para uma instituição central no sistema brasileiro de propriedade intelectual. O Instituto é responsável pela concessão e pelo registro de diferentes modalidades de direitos de propriedade industrial, incluindo patentes, marcas, desenhos industriais e indicações geográficas.

Nesse contexto, um planejamento institucional de longo prazo pode orientar a evolução de processos, projetos e metas relacionados à atuação do órgão.

O documento também deverá servir como referência para o desenvolvimento dos planos das diferentes áreas do INPI, conectando objetivos institucionais a iniciativas de execução.

Próximos passos

A publicação do Plano Estratégico marca o início de um ciclo de planejamento para 2027–2036. A implementação ocorrerá por meio dos Planos de Ação das diversas áreas do INPI, nos quais serão estabelecidos os projetos e as metas de médio prazo.

O documento integral do Plano Estratégico está disponível no portal do INPI.

Enfrentamento às patentes integra estratégia global na resposta ao HIV/Aids
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Enfrentamento às patentes integra estratégia global na resposta ao HIV/Aids

O papel das patentes farmacêuticas no enfrentamento ao HIV/Aids voltou ao centro do debate internacional, com especialistas defendendo a adoção de mecanismos que ampliem o acesso a medicamentos, especialmente em países do Sul Global.

A discussão envolve a utilização de instrumentos como o licenciamento compulsório e outras flexibilidades do sistema de propriedade intelectual, com o objetivo de equilibrar proteção à inovação e acesso a tratamentos essenciais.

Patentes e acesso a medicamentos

O sistema de patentes confere exclusividade temporária para exploração comercial de medicamentos, o que pode impactar diretamente os preços e a disponibilidade de tratamentos.

No contexto do HIV/Aids, especialistas apontam que:

  • A proteção patentária pode limitar a concorrência de genéricos
  • O custo dos medicamentos pode dificultar o acesso em países de baixa e média renda
  • A ampliação da produção local é estratégica para sustentabilidade dos sistemas de saúde

Historicamente, o enfrentamento dessas barreiras foi determinante para a expansão do tratamento antirretroviral em diversos países.

Estratégias de flexibilização

Entre as principais ferramentas debatidas estão:

  • Licenciamento compulsório: permite a produção de medicamentos sem consentimento do titular da patente em situações específicas
  • Transferência de tecnologia: estímulo à produção local em países em desenvolvimento
  • Cooperação internacional: iniciativas para ampliar a capacidade produtiva de insumos de saúde

Essas estratégias são vistas como essenciais para garantir respostas mais rápidas e eficazes a crises sanitárias globais.

Experiências e iniciativas internacionais

O debate inclui experiências em diferentes regiões, com destaque para desafios enfrentados em países com sistemas de saúde mais frágeis, onde doenças estigmatizadas agravam crises sociais e econômicas.

Além disso, iniciativas brasileiras têm sido mencionadas como exemplos de políticas voltadas à ampliação da capacidade produtiva e ao fortalecimento do acesso a medicamentos.

Propriedade intelectual e políticas públicas

O tema evidencia um ponto central na formulação de políticas públicas: o equilíbrio entre incentivo à inovação e garantia de acesso à saúde.

Entre os principais pontos de atenção:

  • Sustentabilidade dos sistemas públicos de saúde
  • Incentivos à pesquisa e desenvolvimento
  • Redução de desigualdades no acesso a tratamentos

O debate permanece ativo em fóruns internacionais e envolve governos, indústria farmacêutica, organizações multilaterais e sociedade civil.

Debate sobre ajuste de prazo de patentes reacende discussão sobre previsibilidade e inovação no setor de saúde
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Debate sobre ajuste de prazo de patentes reacende discussão sobre previsibilidade e inovação no setor de saúde

A discussão sobre a retomada de um mecanismo de ajuste de prazo de patentes voltou ao centro do debate no setor de saúde no Brasil. A medida, conhecida internacionalmente como Patent Term Adjustment (PTA), é vista por parte do mercado como instrumento capaz de aumentar a previsibilidade regulatória e estimular investimentos em inovação.

Por outro lado, entidades ligadas à produção de genéricos e biossimilares, além de representantes do setor público, avaliam que o atual sistema já garante proteção adequada, sem necessidade de extensão adicional de prazos.

Contexto regulatório e histórico recente

Desde 2021, o Brasil não conta com um mecanismo automático de compensação de prazo para patentes concedidas com atraso. A mudança ocorreu após o Supremo Tribunal Federal declarar inconstitucional o dispositivo da Lei de Propriedade Industrial que assegurava um prazo mínimo de vigência nesses casos.

No Congresso Nacional, propostas legislativas voltaram a discutir o tema. Entre elas, projetos que preveem:

  • Ajuste proporcional ao atraso administrativo não atribuível ao titular
  • Limite máximo de extensão de até cinco anos
  • Prazo para solicitação do ajuste após a concessão da patente

Essas iniciativas buscam reintroduzir um modelo de compensação alinhado a práticas internacionais.

Previsibilidade e impacto na inovação

A previsibilidade no sistema de patentes é apontada como fator crítico para decisões de investimento em pesquisa e desenvolvimento.

Quando há demora na análise de pedidos:

  • Reduz-se a segurança jurídica para exploração econômica da tecnologia
  • Aumenta o custo de negociações e licenciamento
  • Compromete-se o planejamento industrial e a entrada de novas tecnologias no país

No contexto global, o Brasil apresenta volume significativamente menor de depósitos de patentes em comparação a economias como a China, o que reforça o debate sobre estratégias para ampliar a capacidade inovadora nacional.

Instrumento de compensação (PTA)

O Patent Term Adjustment é um mecanismo que permite ajustar o prazo de vigência da patente em casos de demora excessiva na análise administrativa.

Entre suas características:

  • Aplicação pontual, não automática
  • Vinculação a atrasos injustificados do órgão examinador
  • Objetivo de recompor o período efetivo de exclusividade

O instrumento é utilizado em diferentes jurisdições como forma de equilibrar o tempo de proteção e garantir segurança aos titulares de direitos.

Trade-off: acesso versus incentivo à inovação

A possível reintrodução do PTA envolve uma decisão estratégica sobre o posicionamento do país:

  • Foco no acesso: priorização de medicamentos mais acessíveis via genéricos e biossimilares
  • Foco na inovação: estímulo à entrada de novas tecnologias e investimentos em P&D

O equilíbrio entre esses objetivos é central para o desenho de políticas públicas em saúde e propriedade intelectual, especialmente em um setor caracterizado por altos custos de desenvolvimento e forte dependência de proteção regulatória.

Próximos desdobramentos

O tema segue em debate no Legislativo e entre diferentes atores do ecossistema de inovação. A eventual adoção de um novo modelo de ajuste de prazo poderá impactar:

  • Estratégias de investimento no país
  • Dinâmica competitiva da indústria farmacêutica
  • Acesso a tecnologias e medicamentos
INPI investe R$ 278 mil em capacitação de lideranças com foco em people analytics
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INPI investe R$ 278 mil em capacitação de lideranças com foco em people analytics

O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) formalizou a contratação de serviços especializados de capacitação para suas lideranças, com foco em competências de people analytics. O investimento previsto é de R$ 278 mil, conforme extrato de contrato publicado no Diário Oficial da União em 30 de julho de 2026.

A iniciativa contempla o programa “Desenvolvimento de equipe de gestão de pessoas e liderança com people analytics – ciclo completo”, a ser conduzido pela Minder People Analytics Ltda. em formato híbrido, combinando atividades online e encontros presenciais no Rio de Janeiro.

Modernização da gestão pública

O objetivo central do programa é fortalecer a capacidade analítica do corpo diretivo do INPI, incorporando ferramentas baseadas em dados para apoiar a tomada de decisão.

O people analytics — método que envolve coleta, organização e análise de dados relacionados ao comportamento e desempenho de colaboradores — vem ganhando espaço no setor público brasileiro como estratégia para:

  • Aumentar a eficiência administrativa
  • Melhorar a alocação de recursos humanos
  • Apoiar a retenção de talentos estratégicos
  • Reduzir custos operacionais

De acordo com o termo de referência, a capacitação abrangerá todas as etapas da metodologia, incluindo:

  • Coleta de dados governamentais
  • Análise de indicadores de desempenho
  • Avaliação de clima organizacional
  • Monitoramento de produtividade

A iniciativa ocorre em um contexto de alinhamento de órgãos federais às melhores práticas de governança corporativa e transformação digital.

Detalhes do contrato e base legal

O contrato nº 19/2026 terá vigência de 12 meses, com início em 30 de julho de 2026 e término previsto para 30 de julho de 2027.

Principais informações:

  • Valor total: R$ 278 mil
  • Processo administrativo: 52402.000551/2026-91
  • Base legal: Artigo 74, inciso III, alínea “f” da Lei nº 14.133/2021
  • Modalidade: Inexigibilidade de licitação

A legislação permite contratação direta quando há inviabilidade de competição para serviços técnicos especializados de natureza intelectual, como treinamentos.

Sobre o people analytics

O conceito de people analytics consiste na substituição de decisões baseadas em intuição por análises fundamentadas em dados concretos.

Na administração pública, sua aplicação pode resultar em:

  • Melhor distribuição de servidores em projetos
  • Identificação precisa de necessidades de capacitação
  • Maior assertividade na gestão de equipes

A empresa contratada, Minder People Analytics Ltda., é especializada em consultoria e treinamento na área, utilizando metodologias e ferramentas para transformar dados em estratégias operacionais.

As datas dos módulos presenciais no Rio de Janeiro ainda serão definidas ao longo de 2026, conforme o cronograma interno da autarquia.

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