Indicações Geográficas
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Indicações Geográficas avançam no Brasil e se consolidam como ativos estratégicos de PI

As Indicações Geográficas (IGs) seguem em trajetória consistente de crescimento no Brasil e devem avançar cerca de 20% ao ano, segundo estimativa do Sebrae Nacional. O movimento confirma a consolidação das IGs como ativos estratégicos de propriedade intelectual, cada vez mais relevantes para diferenciação de produtos, desenvolvimento regional e acesso a mercados.

Entre 2020 e o final de 2025, o número de IGs reconhecidas pelo INPI passou de 73 para 150 registros, mais que dobrando em cinco anos. Em janeiro de 2026, o país alcançou 151 IGs, com o reconhecimento das tortas de Carambeí (PR).

A estruturação de uma IG exige planejamento técnico, jurídico e institucional. O processo envolve, em média, 18 meses de preparação — incluindo governança, definição de regras e consolidação de evidências — além de cerca de 12 meses de análise pelo INPI. Esse prazo reforça a importância de uma estratégia sólida desde as fases iniciais.

No Brasil, as IGs podem ser registradas como Indicação de Procedência (IP) ou Denominação de Origem (DO) e funcionam como direitos coletivos de PI, protegendo o nome geográfico e os métodos de produção associados. O setor cafeeiro lidera em número de registros, demonstrando o impacto econômico da proteção da origem e da reputação.

Mais do que um selo, as IGs representam uma ferramenta jurídica capaz de agregar valor, fortalecer cadeias produtivas e posicionar produtos brasileiros de forma competitiva no mercado nacional e internacional.

recordes
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Recordes de pedidos de propriedade intelectual marcam o desempenho do INPI em 2025

Os dados divulgados no Boletim Mensal de Propriedade Industrial de dezembro de 2025 confirmam um ano de crescimento consistente para o sistema brasileiro de propriedade intelectual. Em 2025, o INPI registrou aumento tanto nos pedidos quanto nas concessões de direitos de PI, com recordes históricos em patentes, marcas, desenhos industriais e programas de computador.

Os depósitos de patentes totalizaram 29.557 pedidos, representando um crescimento de 6,7% em relação a 2024 e o melhor desempenho desde 2016. O resultado reflete a retomada do interesse em proteção tecnológica no país, especialmente por parte de empresas que enxergam o Brasil como mercado estratégico para inovação e produção.

No campo das marcas, o Instituto superou pela primeira vez a marca de 500 mil pedidos, alcançando 504.461 depósitos, um crescimento de 7,9% e o melhor resultado da série histórica. O dado evidencia a intensificação da atividade empresarial e o fortalecimento da gestão de ativos intangíveis no país.

Também se destacaram os desenhos industriais, com 9.872 pedidos (alta de 35,7%), e os programas de computador, que somaram 7.236 registros (crescimento de 36,2%), ambos atingindo recordes históricos. Esses números refletem o avanço da economia criativa, do setor digital e da proteção de interfaces, design e software.

Em relação às concessões, o INPI também apresentou desempenho expressivo em 2025, com 13.624 patentes concedidas, 176.559 marcas, 8.456 desenhos industriais e 6.892 programas de computador, com destaque para o crescimento superior a 100% nas concessões de desenhos industriais.

Os dados reforçam o papel do INPI como agente central no ambiente de inovação e negócios no Brasil e indicam um cenário cada vez mais relevante para empresas nacionais e estrangeiras que buscam segurança jurídica, previsibilidade e proteção de seus ativos de propriedade intelectual.

Acordo Mercosul–UE deve impulsionar depósitos de patentes no Brasil
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Acordo Mercosul–UE deve impulsionar depósitos de patentes no Brasil

A assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, em 17 de janeiro, deve gerar impactos relevantes para o sistema de propriedade intelectual no Brasil, especialmente no que se refere ao aumento dos pedidos de patentes por empresas estrangeiras.

Ao reduzir barreiras comerciais e ampliar a integração econômica entre os blocos, o tratado tende a tornar o Brasil um mercado ainda mais estratégico para a proteção de ativos tecnológicos. Especialistas em propriedade intelectual avaliam que o acordo pode fortalecer o sistema brasileiro de patentes, historicamente impulsionado por depósitos de empresas internacionais.

Embora o cenário atual seja positivo — com 29,5 mil pedidos de patentes depositados em 2025, o melhor resultado desde 2016 — o número ainda é considerado aquém do potencial do país, sobretudo diante da tendência global de crescimento contínuo dos depósitos.

Na avaliação de especialistas, a implementação do acordo amplia a previsibilidade regulatória e reforça o papel do Brasil como plataforma industrial e tecnológica para acesso a um mercado estimado em 700 milhões de consumidores. Esse contexto torna o depósito de patentes um instrumento estratégico não apenas para proteção jurídica, mas também para viabilizar fabricação local, licenciamento, parcerias comerciais e transferência de tecnologia.

A expectativa é de um crescimento gradual, inicialmente puxado por empresas europeias, mas que, no médio prazo, deve atrair companhias de diversas regiões interessadas em consolidar sua presença no mercado brasileiro.

Setores como automotivo, químico, farmacêutico, energia, biotecnologia, tecnologias industriais, digitais e inteligência artificial devem liderar esse movimento, acompanhando o aumento de investimentos produtivos e o fortalecimento das cadeias de suprimento no país.

INPI Updates Industrial Design Manual with New Guidelines on Priority Examination
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INPI atualiza Manual de Desenhos Industriais com novas orientações sobre exame da prioridade

O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) disponibilizou, em 22 de janeiro de 2026, a atualização do Manual de Desenhos Industriais, trazendo mudanças relevantes nos critérios aplicáveis ao exame da prioridade reivindicada em pedidos de registro.

Entre as principais alterações, o Manual passa a prever novas hipóteses de perda da prioridade sem a necessidade de exigência prévia, o que representa um ajuste significativo na condução do exame técnico dos pedidos de desenho industrial.

A partir da atualização, a perda da prioridade poderá ser publicada diretamente nos seguintes casos:

  • quando o documento de prioridade apresentar desenho industrial sem qualquer relação com a matéria reivindicada no pedido depositado no Brasil e o documento correto não for apresentado no prazo legal de 90 dias contados do depósito;

  • quando um documento hábil de prioridade, contendo as figuras, o número do depósito e a data do depósito no país de origem, não for apresentado dentro do prazo legal de 90 dias após o depósito no Brasil; e

  • quando a reivindicação nas figuras do desenho industrial depositado no Brasil não corresponder integralmente à reivindicação constante nas figuras do documento de prioridade.

Segundo o INPI, o novo procedimento tem como objetivo tornar o exame dos pedidos de desenhos industriais mais ágil, eficiente e menos oneroso, contribuindo para maior previsibilidade e racionalização do trâmite administrativo.

A lista completa das alterações poderá ser consultada na seção “Atualizações” do site do Manual de Desenhos Industriais, a partir de 22 de janeiro de 2026.

Para titulares e requerentes, as mudanças reforçam a importância de uma análise criteriosa da documentação de prioridade, especialmente em estratégias de proteção internacional de desenhos industriais envolvendo o Brasil.

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Startup usa IA para transformar patentes em ativos estratégicos e levanta US$ 20 mi

A startup Ankar, fundada em Londres por duas ex-funcionárias da empresa de software Palantir, captou US$ 20 milhões em uma rodada Série A liderada pela Atomico, com participação de Index Ventures, Norrsken e Daphni. A empresa desenvolve uma plataforma baseada em inteligência artificial (IA) com o objetivo de acelerar e otimizar processos de registro e gestão de patentes, transformando a propriedade intelectual de um centro de custo em ativo estratégico de alto valor no balanço corporativo.

O uso de tecnologia de IA permite que a plataforma da Ankar realize buscas em mais de 150 milhões de registros de patentes e 250 milhões de publicações científicas, automatizando análises de “arte prévia” — inovações semelhantes já registradas — e sugerindo áreas com maior potencial para novas patentes. Isso gera maior eficiência para departamentos jurídicos e equipes de inovação, que conseguem direcionar esforços para atividades mais estratégicas

Em um cenário global em que ativos intangíveis como patentes representam uma parte significativa do valor de mercado das empresas, a proposta da Ankar busca redefinir como corporações protegem e exploram sua propriedade intelectual, reduzindo tempo e custos tradicionais do processo de patenteamento.

A startup já soma captação anterior de cerca de US$ 4 milhões em rodada seed e vem ganhando tração com grandes clientes, incluindo empresas como L’Oréal e escritórios jurídicos globais que adotam a ferramenta para aprimorar a eficiência em portfólios de inovação.

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Acordo entre Disney e OpenAI redefine os limites do uso de IA no audiovisual

O investimento de aproximadamente US$ 1 bilhão da Disney na OpenAI marca um novo capítulo na relação entre grandes estúdios de entretenimento e a inteligência artificial generativa. O acordo, anunciado recentemente, autoriza o uso de cerca de 200 personagens dos universos Disney, Pixar, Marvel e Star Wars pela plataforma Sora, ferramenta de geração de vídeos por IA da OpenAI, com início previsto para 2026.

Segundo as informações divulgadas, a parceria permite a criação de vídeos sociais curtos que envolvem não apenas os personagens, mas também ambientes icônicos, figurinos e elementos visuais característicos das franquias. O acordo, no entanto, não contempla o uso de voz ou semelhança física de atores e talentos, limitando o escopo do licenciamento.

Além disso, a Disney passa a ter acesso às APIs da OpenAI para o desenvolvimento de produtos e experiências próprias — inclusive para o Disney+ — e seus colaboradores poderão utilizar ferramentas como o ChatGPT. O investimento também prevê a possibilidade de ampliação da participação acionária da Disney na OpenAI, sujeita a negociações futuras.

Mudança estratégica dos grandes estúdios

O movimento chama atenção por sinalizar uma mudança de postura dos grandes players do audiovisual diante da inteligência artificial. Historicamente, estúdios têm adotado uma abordagem defensiva em relação à IA, sobretudo diante de riscos associados à violação de direitos autorais, reprodução de estilos protegidos e uso indevido de ativos criativos.

Ao optar por um acordo formal com uma das principais empresas do setor, a Disney indica uma estratégia mais pragmática: participar ativamente do ecossistema de IA, em vez de apenas reagir ao seu avanço. Do ponto de vista da propriedade intelectual, trata-se de um exemplo claro de como o licenciamento contratual pode funcionar como instrumento de governança tecnológica.

O contrato como elemento central da segurança jurídica

No campo jurídico, a formalização do acordo altera significativamente o enquadramento do uso de propriedade intelectual por sistemas de IA. Com o licenciamento, o uso dos personagens deixa de representar um risco jurídico difuso e passa a ser expressamente autorizado, com limites bem definidos quanto à finalidade, escopo, tempo e forma de exploração.

Contratos desse tipo costumam prever cláusulas de controle de outputs, rastreabilidade, auditoria e governança, além de mecanismos para mitigar riscos reputacionais e evitar usos que possam comprometer a integridade das marcas envolvidas. Eventuais extrapolações deixam de ser tratadas apenas como infrações autorais e passam a configurar descumprimento contratual.

Impactos para o mercado criativo e para a PI

Embora o acordo não crie um precedente jurídico vinculante, ele tende a estabelecer um novo padrão de mercado, reforçando a ideia de que o uso de IA não é, por si só, ilícito — desde que autorizado, licenciado e regulado. Ao mesmo tempo, o modelo evidencia desafios ainda não resolvidos, especialmente para autores individuais, artistas independentes e pequenos estúdios, cujas obras continuam sendo utilizadas para treinamento de modelos de IA sem negociação direta.

Para o setor de propriedade intelectual, o caso reforça a centralidade do contrato como fronteira entre inovação e proteção de direitos, e antecipa discussões relevantes sobre autoria, responsabilidade, licenciamento e governança de ativos criativos em ambientes de inteligência artificial.

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Turismo em alta no Brasil fortalece marcas nacionais e reforça a importância da proteção marcária

O crescimento do turismo no Brasil tem ampliado significativamente a visibilidade de marcas nacionais, especialmente aquelas ligadas a produtos regionais, experiências culturais e economia criativa. De artesanato e alimentos típicos a cosméticos naturais e moda autoral, marcas brasileiras vêm se tornando parte da experiência turística — e, consequentemente, ganhando circulação para além de seus mercados de origem.

Esse movimento representa uma oportunidade estratégica para empresas que desejam consolidar sua identidade e expandir sua presença nacional e internacional. No entanto, o aumento da exposição também traz riscos relevantes relacionados à proteção de marcas e outros ativos de propriedade intelectual.

À medida que produtos locais passam a circular em diferentes regiões e até fora do país, crescem os casos de uso indevido de marcas, cópias de embalagens, concorrência desleal e tentativas de registro por terceiros. Negócios que operam sem uma estratégia adequada de proteção podem enfrentar obstáculos sérios justamente no momento de expansão.

O turismo também intensifica a valorização da autenticidade. Visitantes — especialmente estrangeiros — buscam produtos que representem a identidade cultural brasileira, o que aumenta o valor econômico das marcas associadas à origem, à tradição e à inovação local. Nesse contexto, o registro de marca no INPI, a proteção de elementos distintivos e o monitoramento do uso da marca tornam-se medidas essenciais.

Para empresas que atuam em mercados turísticos, crescer de forma sustentável significa alinhar visibilidade, estratégia comercial e segurança jurídica. A marca, quando devidamente protegida, deixa de ser apenas um sinal distintivo e passa a ser um ativo estratégico capaz de sustentar a expansão e preservar valor no longo prazo.

Parceria internacional reforça atuação do IFSP em Indicações Geográficas
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Parceria internacional reforça atuação do IFSP em Indicações Geográficas

O Instituto Federal de São Paulo (IFSP) anunciou uma nova parceria internacional voltada ao fortalecimento das Indicações Geográficas (IGs), ao firmar cooperação com a Reinforce Intellectual Property Association (RIPA), organização internacional sem fins lucrativos com atuação relevante na promoção da propriedade intelectual, especialmente na Índia.

A iniciativa reforça o papel das IGs como instrumentos estratégicos de desenvolvimento territorial, inovação e valorização de ativos intangíveis, em linha com tendências globais de proteção e gestão da propriedade intelectual.

Apesar de possuírem naturezas institucionais distintas, IFSP e RIPA compartilham objetivos convergentes, como o fortalecimento de ambientes de inovação e a promoção do desenvolvimento socioeconômico regional. Um dos pilares da cooperação é a aplicação da metodologia “Metrics that Matters”, desenvolvida pela RIPA, que propõe indicadores para avaliar governança, desempenho e impacto econômico das Indicações Geográficas.

No contexto brasileiro, a metodologia será utilizada para apoiar associações responsáveis pela gestão de IGs, permitindo a construção de planos de ação focados em sustentabilidade, fortalecimento institucional e ampliação do impacto econômico e social nos territórios de origem.

A parceria também prevê pesquisas de campo e treinamentos especializados para produtores, artesãos e estudantes, contribuindo para a qualificação técnica e para o aprimoramento das políticas públicas relacionadas às Indicações Geográficas.

A iniciativa evidencia a crescente relevância das IGs no cenário internacional de propriedade intelectual e reforça a importância de estratégias estruturadas de proteção, governança e valorização desses ativos no Brasil.

INPI apresenta ações e perspectivas para 2026 em evento da ASPI, em São Paulo
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INPI apresenta ações e perspectivas para 2026 em evento da ASPI, em São Paulo

Durante evento promovido pela Associação Paulista da Propriedade Intelectual (ASPI), realizado em São Paulo no dia 18 de dezembro, o diretor de Marcas, Desenhos Industriais e Indicações Geográficas do INPI, Alexandre Lopes Lourenço, apresentou um panorama das ações em curso e das principais perspectivas do Instituto Nacional da Propriedade Industrial para 2026.

Ao abordar o cenário atual, o diretor destacou avanços relevantes na estrutura operacional do INPI, como a contratação de novos examinadores por concurso público, a redução dos prazos de decisão em patentes e o crescimento contínuo dos pedidos de registro de marcas. Também ressaltou o uso crescente de inteligência artificial como ferramenta de apoio aos exames técnicos e de melhoria da experiência dos usuários.

Nesse contexto, Alexandre Lopes Lourenço mencionou o novo Portal de Serviços do INPI como peça central para a modernização do atendimento, além de iniciativas como a terceirização da busca de patentes, a otimização do formulário de oposição de marcas e o projeto de Contato Direto com o Usuário.

Gestão de pessoas e estrutura institucional

No campo da gestão de pessoas, o diretor apontou que, após a ampliação do quadro técnico, o principal desafio passa a ser a capacitação e retenção de servidores. Entre as prioridades está a reestruturação da carreira do INPI, com foco na valorização das atividades técnicas. Um novo concurso público também foi solicitado para ocorrer em 2026.

Sob a ótica institucional, Alexandre Lopes Lourenço apresentou a proposta de transformação do INPI em agência reguladora, o que permitiria maior estabilidade de gestão, decisões colegiadas e melhores condições orçamentárias. A iniciativa está acompanhada de uma proposta de nova estrutura organizacional, orientada por processos e voltada à otimização das atividades do Instituto.

Outras iniciativas estratégicas

Entre os destaques adicionais, foram mencionadas a reconfiguração da atuação regional do INPI, com a criação de cinco superintendências, o fortalecimento da produção de estudos econômicos e tecnológicos, como o Índice Brasil de Inovação e Desenvolvimento (IBID), e o combate à pirataria.

Nesse último ponto, o diretor destacou a atuação dos Diretórios Nacionais de Combate à Falsificação de Marcas e de Indicações Geográficas, além do lançamento recente de uma plataforma voltada ao enfrentamento da falsificação de bebidas.

A apresentação reforça o esforço do INPI em modernizar sua estrutura, ampliar a eficiência dos serviços de propriedade industrial e preparar o Instituto para os desafios do sistema de PI nos próximos anos.

Propriedade intelectual e o STF: o que esperar dos julgamentos em 2026
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Propriedade intelectual e o STF: o que esperar dos julgamentos em 2026

Segundo análise publicada pelo JOTA, a sucessão no Supremo Tribunal Federal (STF), após a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso em outubro de 2025, reacendeu o debate sobre o papel da Corte em temas de propriedade intelectual (PI) e sobre quais casos relevantes deverão integrar a pauta do tribunal em 2026.

A relação entre propriedade intelectual e constitucionalismo no Brasil é histórica. Desde a Constituição de 1824, o ordenamento jurídico brasileiro reconhece a proteção às criações intelectuais como instrumento de estímulo ao desenvolvimento. Na Constituição Federal de 1988, o tema aparece expressamente no artigo 5º, incisos XXVII, XXVIII e XXIX, abrangendo direitos autorais, direitos conexos, patentes, marcas e nomes empresariais, além de dialogar com princípios como livre iniciativa, livre concorrência, função social da propriedade e defesa do consumidor.

Esse arcabouço constitucional confere ao STF competência para analisar, em última instância, litígios envolvendo propriedade intelectual e também para apreciar a constitucionalidade de normas que regem o sistema de PI no país.

ADI 5.529 e seus reflexos

O JOTA relembra que um dos marcos recentes dessa atuação foi o julgamento da ADI nº 5.529, em 2021, quando o STF declarou inconstitucional o parágrafo único do artigo 40 da Lei da Propriedade Industrial (LPI), que permitia a extensão automática do prazo de vigência das patentes. A decisão, tomada por ampla maioria, alterou significativamente o regime jurídico das patentes no Brasil após mais de duas décadas de vigência da LPI e produziu efeitos retroativos sobre milhares de títulos concedidos.

Embora o julgamento tenha trazido maior previsibilidade normativa, ele também evidenciou questões estruturais ainda não resolvidas, como a necessidade de adequado financiamento e fortalecimento técnico do INPI para evitar atrasos excessivos na análise de pedidos. Além disso, o tema segue em debate tanto no Judiciário quanto no Congresso Nacional, com ações judiciais e projetos de lei que buscam reavaliar os impactos da decisão.

Casos relevantes de PI na pauta de 2026

De acordo com o JOTA, alguns processos de grande repercussão em propriedade intelectual devem avançar no STF em 2026. Entre eles está o ARE 1.266.095 (Tema 1205), que envolve a disputa entre Gradiente e Apple sobre o uso da marca “iPhone”. O caso discute os efeitos do atraso do INPI na concessão do registro da marca “G Gradiente iPhone”, depositada antes do lançamento do smartphone da Apple, e aguarda julgamento no plenário físico da Corte.

Outro processo de destaque é o ARE 1.542.420 (Tema 1403), no campo dos direitos autorais, que envolve o cantor Roberto Carlos e o espólio de Erasmo Carlos contra a editora Fermata. A controvérsia gira em torno da validade de contratos celebrados entre as décadas de 1960 e 1980 e da exploração das obras em meios digitais, como plataformas de streaming. O STF já reconheceu a repercussão geral do tema, e a decisão poderá ter impactos amplos sobre contratos de cessão de direitos em diversos setores econômicos.

Segundo o JOTA, independentemente dos desfechos, esses julgamentos tendem a moldar o ambiente jurídico da propriedade intelectual no Brasil, influenciando estratégias empresariais, políticas públicas e a atuação de titulares de direitos nos próximos anos.

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